Coluna do Dr. Brasil
Conexão Laguna – Cultura em Movimento
Nesta nova era de redescobertas culturais e valorização da arte nacional, uma brasileira rompe mais uma barreira no mundo das histórias em quadrinhos. Bilquis Evely, desenhista natural de Barueri (SP), acaba de conquistar o cobiçado Prêmio Eisner 2025, o “Oscar dos Quadrinhos”, na categoria Melhor Desenhista / Arte-finalista — reconhecimento máximo da indústria global, entregue anualmente durante a San Diego Comic-Con, nos Estados Unidos.
A obra que rendeu o prêmio, Helen de Wyndhorn, em parceria com o renomado roteirista Tom King, foi publicada pela Dark Horse Comics no exterior e pela Editora Suma no Brasil. Trata-se de um trabalho que não apenas exibe domínio técnico, mas também mergulha o leitor numa estética medieval rica, densa e profundamente simbólica. O traço de Bilquis, elegante e potente, tem encantado leitores e críticos pelo mundo — e o reconhecimento veio em forma de consagração.
A trajetória de Bilquis é um reflexo de perseverança e excelência. Iniciou sua carreira ilustrando a série juvenil Luluzinha Teen e ganhou projeção internacional ao trabalhar com a DC Comics, onde assinou artes para personagens icônicos como Mulher-Maravilha e Sandman: O Sonhar. Ao lado do também brasileiro Matheus Lopes — indicado ao Eisner como Melhor Colorista —, Bilquis ajudou a tornar Supergirl: Woman of Tomorrow uma verdadeira obra-prima da narrativa visual contemporânea.

O mais interessante, porém, vai além da conquista pessoal: o nome de Bilquis simboliza um novo tempo para a produção cultural brasileira. É a arte nacional ganhando espaço, respeito e relevância em mercados onde antes era invisibilizada. E é uma vitória coletiva, da cultura brasileira que pulsa, reinventa-se e conquista corações mundo afora.
Enquanto vemos nomes como o de Bilquis despontarem no exterior, também vivemos um momento de retomada e valorização da cultura aqui mesmo no Brasil — e em especial, em Araruama. Artistas da cidade têm ganhado visibilidade nacional, a exemplo de Edu Gomes no cenário musical e tantos outros nas artes visuais, teatro e literatura. Muito disso se deve à nova gestão cultural municipal, que tem ampliado os acessos, reaberto as fronteiras criativas e incentivado a circulação de talentos locais.
A vitória de Bilquis no Eisner Awards é, portanto, mais do que uma celebração individual. É um reflexo de que a arte brasileira tem alma, técnica e voz própria. E quando encontra espaço, o mundo inteiro para para ouvir.
Por Dr. Brasil
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